Então, quando eu cheguei em casa do trabalho encontro meu Pai deitado no sofá. Minha reação foi inesperada, eu não sabia se eu ficava feliz por ele estar em casa de novo ou triste por que eu sabia o motivo de meu Pai estar em casa, era porque não tinha mais nada o que fazer.
Comecei a ir atrás de plantas eu e meus irmãos, comecei a ler a bíblia a ter mais fé em Deus. A rezar todos os dias e pedir pra Deus nos ajudar e curar meu Pai.
Os dias foram se passando, ate água meu Pai no fim não pode mais tomar; Tudo voltava por que nada ali em baixo passava. Ele estava sofrendo muito.
Minha Mãe tinha feito um bolinho de carne e ela oferecia pra ele, por que sei La imagina? E ele pegava, colocava na boca, só pra sentir o gosto e jogava fora por que sabia que iria vomitar depois.
Na ultima semana antes do acontecimento, Meu Pai resolveu que queria fazer uma cirurgia ou alguma coisa por que assim ele não poderia ficar mais.
Ele ficou sendo alimentado por vitaminas na veia e soro 1 mês e 15 dias. Quem conseguiria viver todo esse tempo sem comer um arroz?
Até que um dia, ele olhou pra minha mãe e disse que não dava mais, ele não agüentava mais ficar sem comer. E que ele queria fazer alguma coisa. Minha mãe e a Adriana o questionaram e disseram que ele poderia não agüentar. Mas ele disse que assim não poderia ficar. A gente o levou pra dormir desacorçoado. Minha mãe a Adriana começam a chorar, e não sabiam o que fazer. Minha mãe disse que não agüentava mais olhar pro meu Pai, dar banho nele e ver ele só em osso. Não comendo nada.
Todo mundo naquele momento parou e começou a chorar. Eu fui La em cima com meu Pai e comecei a pesquisar na internet alguma coisa que a gente poderia fazer, que desse uma idéia pra salvar ele.
Foi onde encontrei uma reportagem, vice-presidente da Republica, Jose Alencar, que ele coloca como seu titulo a seguinte frase: “ Se Deus não quiser me levar, não há câncer que me leve”.
Mostrei pro meu Pai, que ele teve 14 tipos de câncer, fez varias cirurgias, quimioterapias, radioterapias. Mas mesmo assim, o câncer vai e depois volta em outro lugar. Mas ele nunca perde a fé, e ta nem ai por que não é 14 tipos de câncer que vão levar ele.
Eu li a reportagem inteira pro meu Pai e ele ficou muito animado por sinal. Meu Pai depois pediu pra salvar uma foto do corpo humano e mostrar pra ele, para se ele conseguisse fazer a cirurgia ele visse o que os médicos poderiam fazer.
Ele olhou, virou pro lado desanimado e dormiu... Eu fiquei ali olhando ele dormir e pensando no que ia acontecer.
Na sexta-feira eu fiquei com meu Pai de tarde em casa e minha mãe foi falar com o Jair Teixeira , o mesmo que participou da cirurgia do meu pai na retirada do estomago.
E ele falou que os riscos eram muito grandes, mas se era a vontade do meu Pai, tava marcado para segunda-feira dia 18 de janeiro de 2010 as 9:00 horas da manha era pro meu Pai estar pronto no hospital para a cirurgia.
Minha mãe chegou em casa e falou pra ele, ele ficou mais aliviado.
Foi sua escolha, só que a gente não sabia que sua hora estava tão perto. No sábado de manha minha mãe me ligou dizendo que meu Pai estava com uma enorme dor nas costas e que ela não sabia o que fazer. O Enfermeiro veio na minha casa deu um remédio pra dor e passou. Começamos-nos a nos assustar.
No domingo de manha, meu Pai não tinha dormido a madrugada inteira, estava angustiado. Não conseguia respirar direito. Minha mãe começou a se assustar por que ela sabia que quando começava assim não era muito bom.
A gente foi acalmando meu Pai , e eu dizia pra mim que ele tava nervoso pela cirurgia, mas eu dizia que tudo ia dar certo.
Mas mesmo assim, cada hora que passava a angustia era maior, ate deu 18:00 da tarde e minha mãe disse , não vamos levar ele pro hospital assim não da pra ficar.
Eu tinha saído, minha mãe me ligou: Vem logo que vamos levar o Pai pro hospital, vem se despedir dele...
Quando cheguei já não falava mais e eu dizia: Pai, tu ta nervoso por causa da cirurgia neh? Ele me balançou a cabeça que sim, eu disse não fica assim tudo vai dar certo. E minha mãe começou a colocar as coisas dentro do carro, quando pegou ele no colo e colocaram no banco da frente pra levar ele pro hospital. Minha Mãe olhou pra mim quando veio dizer tchau e começou a chorar. Eu olhava pro meu Pai ele tava olhando pra mim um olhar que nunca mais vai sair da minha cabeça. Ele olhava fundo, não me agüentei e comecei a chorar,fui La e o abracei e disse, disse as ultimas coisas antes de ele ir embora. Que eu o amava e ia dar tudo certo. Boa sorte...
( Essa foto foi tirada em casa, quando os médicos mandaram ele pra casa. Meu irmão bateu dele com o Lucas)

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